28/8/2009
Banda de heavy tem prefeito no vocal

Prefeito da Serra é vocalista de uma banda de heavy metal e se divide em duas paixões: rock e política

Otacílio Costa

               Por trás do político que usa camisa clara de botões, calça social e sapato de verniz se esconde um jovem de 37 anos que não abre mão do preto, do jeans e da jaqueta de couro e é vocalista de uma banda de heavy metal. Denilson Padilha não se destaca apenas pelos despachos de seu gabinete na prefeitura de Otacílio Costa, mas também pelo seu desempenho no palco, no comando da banda Black Soul.
               E, assim, os moradores do pequeno município da Serra Catarinense estão se acostumando com o prefeito roqueiro. Viram a banda no aniversário da cidade e muita gente ficou indiferente ao estilo que foge do gosto comum. “Muitos dizem que é uma barulheira, uma gritaria, mas é uma coisa natural, nem todos gostam desse estilo”. Ao que parece, em Otacílio Costa, ninguém acha ruim ter um prefeito alternativo.  “Não tive reclamação por ser metaleiro, pelo menos nunca ouvi nada”.
                Junto com Denilson outros jovens integram a Black Soul, com média de idade entre 18 e 21 anos. Guilherme e Lucas nas guitarras, Piti no baixo e Boia na bateria.  “Estamos com a banda há dois anos e sempre que saímos eu falo para os pais: deixa que cuido deles”.

Prefeito x Roqueiro

               “O pessoal mais jovem se acostumou me ver tocando, cantando e não como prefeito”, disse,  completando que o rock, não influencia a vida política. O seu amor pelo rock é incondicional, e há algum tempo começou a gostar da política. “São coisas bem diferentes, mas você pode amar as duas e uma não interfere na outra”.

Shows de heavy

               Neste ano a Black Soul vai tocar no Orquídea Rock Festival em Lages. Em dois anos de formação a banda esteve em Dona Ema, no Bob Rock, no Trento For Hall, e no Otacílio Rock Festival.

Repertório

                A Black Soul toca heavy metal tradicional, Black Sabat, Motorhead, Metallica, Kiss e até Sepultura. E agora os músicos se aventuram nas composições, até o final do ano devem gravar um CD demo (caseiro). As letras falam do cotidiano, dos medos e de política. O prefeito não se preocupa com a polêmica que as letras podem causar. “Não são letras partidárias e eu não me incomodo com críticas, no mundo político onde estou inserido aceito muito bem isso”.

Otacílio Rock Festival

               “Fazer um festival de heavy era um sonho que eu tinha e acabei encontrando aqui pessoas, como a Nani, que é uma garota envolvida com música, com a mesma vontade”. O evento acontece há três anos. Em 2009 foram 27 bandas de metal nas suas variações como trash metal, death metal e black metal.  
               Desde o primeiro evento muitos moradores foram acompanhar. “Foram pela curiosidade, para ver como era um festival de rock, no início alguns se assustaram ao ver todos de preto e vários cabeludos”. Para Denilson, uma reação normal. Ele já sofreu preconceito quando jovem, quando era cabeludo e estudava agronomia no CAV em Lages. Agora, como prefeito que curte som pesado tem a oportunidade de diminuir os preconceitos. “Quero mostrar que roqueiro não é baderneiro. O ser humano é assim, de ter esse “pré-conceito”. Roqueiro não depreda, zela. O pessoal que participa desses festivais é de um bom nível cultural”.

O metaleiro

               “Sempre ouvi música, quando pequeno ouvia rádio com as minhas irmãs, elas gostavam muito de música, eu gostava também, mas não tinha estilo definido, até que eu ouvi Kiss pela primeira vez aos 12 anos. Eu disse é isso, é esse o som que eu gosto”. Ele mantém uma coleção de vinil, de bandas de rock e de metal. Garante que respeita todos os estilos, mas para ouvir admite que, alguns sons “o ouvido não recebe bem”.


Religião de preto

                “Uso muito preto, lógico que no dia a dia a gente tem de ter uma postura. Mas gosto muito, quando posso sempre estou com camiseta de rock”.


Violão e voz

               Os trabalhos como prefeito não impedem que ainda faça som em voz e violão, no Green Bar em Otacílio Costa. Este ano, foram quatro apresentações com rock nacional, MPB e pop rock.


Rock popular?

               “Quem escuta rock, não ouve porque está na moda, é porque gosta. Eu particularmente nem acho legal estar na mídia, porque acaba ficando comercial”. Para Denilson, quanto mais underground, mais interessante, porque rock não é só uma questão de gosto, é filosofia de vida.


Rock e política

               Denilson não esconde o rock, mas não sai por aí anunciando. Maioria dos prefeitos das cidades serranas não sabem que é vocalista de uma banda heavy, muitos nem sabem o que é metal. “Alguns sabem que eu canto, porque já viram; quando estivemos em Brasília (viagem dos prefeitos) fomos a um barzinho que tinha música ao vivo, fui lá, conversei com os “caras” e toquei umas músicas de MPB”.

 

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