9/2/2010
Índios divulgam a cultura Inca na Serra

Lages

Os índios equatorianos que se apresentaram na semana passada em Lages já foram embora, mas deixaram saudades. O som simples que nos faz sentir tranquilos agora está para os ouvidos dos milhares de turistas que invadem Balneário Camboriú nesta época do ano.

Mesmo com o calor de mais de 30ºC os cinco equatorianos se exibiram nos Calçadões das Praças João Costa e Túlio Fiúza de Carvalho. O objetivo deles, que passaram por várias outras cidades na América Latina, antes de chegar ao Brasil há cerca de um mês, é divulgar a cultura quechua. "Saímos para divulgar nossa cultura para que nossa música e nossos costumes não se percam", explicou Jaime de 33 anos. Ele e os outros, dois irmãos Daniel e Rodrigo, um sobrinho Sebastião e o tio Luiz Humberto, nunca tinham visitado o Brasil. Em Lages, sentiram a falta da contribuição do público. "Gostaram da nossa música, mas não ajudaram muito com dinheiro", lamentou Rodrigo (20).

Agora no litoral do Estado esperam melhorar a arrecadação. E prometem se esforçar, assim como na Serra, para levar o melhor da música tradicional equatoriana. Os músicos tiram o som das flautas índias e taiós, tudo feito artesanalmente.

Os índios pretendem voltar para a Terra Natal no máximo em dois meses. Eles estão com saudades de casa, mas admitem que é importante divulgar a cultura. "Nós temos dificuldades em nos comunicar em português, porque até para o espanhol temos dificuldades, nós falamos o dialeto quechua, é assim que nos comunicamos na nossa cidade, com as nossa famílias", comentou Jaime.

Os cinco moram na cidade de Otavalo, que tem clima tropical, menos quente que o calor dos últimos dias em Lages. "Está muito quente, tocamos um pouco e paramos para descansar na sombra", conta Rodrigo. Eles suaram muito, até pelas roupas que vestem, que são feitas de couro de animais (leão e lhama). Além disso se enfeitam muito, especialmente com penas de pavão. "É muito bonito, gosto de aprender sobre outras culturas, a música é agradável, é orquestrada, muito bonita mesmo", disse a administradora Mirian Silva, que insistia em fazer fotos da filha Margoth (4) junto com os índios.

O grupo aproveita as apresentações para vender seus discos. São dois DVDs e cinco CDs. Se os lageanos não contribuíram muito com doações, por sua vez optaram por comprar os discos.

Matakiterani é escolhido entre mais de 200 projetos do País

A Associação Matakiterani de Teatro acaba de ser contemplada em mais um edital do Ministério da Cultura, com R$ 38 mil, para realizar a articulação entre diferentes grupos de "recomendação de almas" de São José do Cerrito, Campo Belo do Sul e Rio Rufino. O edital do "Prêmio Tuxuá", selecionou o projeto "Sacrários Abertos – Identificação e Articulação das Recomendações de Alma do Estado de Santa Catarina", encaminhado ao ministério em novembro do ano passado, entre mais de 200 propostas de todo o Brasil. "O principal objetivo do projeto é tirar os grupos do isolamento em que se encontram praticando sua tradição", explica o representante da associação, Gilson Máximo.

Na prática, a associação vai levar membros de grupos de uma cidade até os de outras, para que repassem informações sobre as tradições que desenvolvem. O trabalho deve acontecer no período de 10 meses e, a partir daí, a associação vai lançar uma revista documental e promover o primeiro encontro estadual das recomendações de almas, aqui na Serra.

A verba do edital vai ser repassada à Matakiterani em duas parcelas de R$ 14 mil. A primeira estará disponível no início dos trabalhos e a segunda depois do envio do relatório final das ações. O valor é para cobrir gastos com viagens, diárias e a publicação de uma revista do encontro estadual. "A gente também vai produzir um DVD do encontro", adianta Máximo.

 

 
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