9/2/2010
Concorrência virtual. Estar on-line é um bom negócio

Fabiana Nonjah | Lages

O perfil do consumidor mudou. Em meio à globalização ele quer ter à disposição ferramentas que facilitem conhecer e comprar produtos. Com a tendência, o empresariado serrano começa a se dar conta de que expor seus produtos on-line é um bom negócio.

O diretor de criação da agência de interatividade Arena Design, Leandro Vicenci, comenta que atualmente mais de 90% das empresas de Lages possuem internet. A maioria está on-line e interessada em saber o que os clientes querem e pensam a respeito de seus produtos e serviços. "A gente passou daquele período em que as empresas não tinham nem computador", avalia Vicenci.

O diretor de criação cita o exemplo da Arena, que atende de grandes empresas a profissionais liberais e microempresários, com o desenvolvimento de sites e outras ferramentas que estreitam o relacionamento com suas clientelas.

Vicenci observa que a internet deixou de servir apenas como mecanismo de consulta há muito tempo, e tornou-se um meio onde se busca a interatividade. "A pessoa tem que perceber que está tendo um benefício real com a internet. Hoje em dia, tendem a acreditar bem mais na opinião de um estranho na internet que em um comercial na televisão", compara ao citar sites de venda que oferecem produtos no mesmo ambiente on-line em que divulgam comentários de outras pessoas que já os usaram.

O diretor de criação sugere que o empreendedor veja o investimento em uma página na internet como uma filial on-line de sua empresa. "Tem que encarar como se estivesse pensando em montar uma nova empresa", indica Vicenci.

Essa visão já absorvida pelas grandes empresas começa despertar entre todos os segmentos de empreendedores. O Senai, por exemplo, a pedido de empresários da região, acaba de implantar o curso Técnico de Informática para Internet e o de Aprendizagem de Programador para Computador.

As aulas das primeiras turmas do curso técnico começaram ontem com laboratório lotado. São 60 profissionais que devem ter espaço no mercado da região em dois anos (duração do curso).

O coordenador dos cursos, Dione Carlos Ribeiro, diz que a capacitação técnica é para quatro níveis de programação web, animação, banco de dados, desenvolvimento de aplicativos para celular, além de capacitação para desenvolver toda a documentação legal exigida das empresas que aderem a essa modalidade publicitária. "É um curso novo no Senai, que está investindo na área de informática", fala Ribeiro.

O coordenador esclarece que faltam profissionais habilitados e com noções não só práticas, mas também teóricas da atividade. "Tem toda uma questão ergonômica, de saber trabalhar com cores, com imagens e com textos bem elaborados", afirma Ribeiro.

Em contato direto com empresários, Ribeiro atesta que eles estão conscientes da necessidade de investir no segmento. "Já tem empresas interessadas no pessoal dos cursos", revela o coordenador.

Caroline Ramos Campos, de 15 anos, pesquisou o mercado de emprego e chegou a visitar empresas antes de se matricular no curso técnico. Ela fala confiante das oportunidades que espera ter com o diploma em mãos. "Pretendo me especializar na área de web design, porque ela é uma forma mais dinâmica de fazer com que todas as pessoas tenham acesso ao conhecimento", argumenta a estudante.

Página na internet é ferramenta essencial para o sucesso

O vendedor Marcioni Luiz Rosa e o analista de sistemas Cristiano Gades trabalham para melhorar a página da Tortelli Motores. A empresa mantém um site desde 2007 e agora quer transformá-lo em um diferencial na área em que atua.

O trabalho deve ficar pronto em três meses, mas atualmente os endereços de e-mail de todos os clientes já estão cadastrados e 95% dos orçamentos solicitados à empresa são emitidos pela internet. "Hoje a gente está com uma clientela que procura muito a internet e prefere fazer as compras da sua casa on-line", justifica Rosa.

A intenção, segundo o vendedor, é de divulgar todos os produtos expostos através de propagandas em rádios, televisões e jornais também pela página on-line. "A partir do momento que você der um recurso melhor para o teu cliente ele vai ser usado", alega o vendedor.

Gades complementa que a tecnologia está cada vez mais visível e mais presente na vida de todos e que a empresa pretende comercializar de máquinas pesadas a ferramentas para jardinagem nesse espaço virtual.

O analista de sistemas diz que na região ainda existe a cultura de que a tecnologia representa um custo, mas o ideal é tratá-la como um custo-benefício. "A tecnologia evoluiu muito mais nos últimos cinco anos, que nos últimos 10 anos", defende o analista de sistemas ao lembrar que a concorrência pode mudar a postura de empreendedores que ainda não apostam nas páginas on-line como uma ferramenta essencial para o sucesso.

 

Nossa opinião

Globalização. Hoje é muito fácil entender o que é isso se pensarmos no meio ‘internet'. Com a rede mundial de computadores não há informação inacessível. Não há distâncias impercorríveis. Não há quem não se possa encontrar ou que se possa descobrir. Com ela, o mundo ficou realmente pequeno.

Há alguns anos, não muitos, quando se começou a falar em internet, as pessoas não tinham a compreensão do que seria essa ferramenta que inicialmente era mais usada para encontrar pessoas virtualmente, fazer umas poucas pesquisas, e para o lazer.

Atualmente, não se pode imaginar uma empresa que não esteja conectada. Estar on-line é vital. Também não é concebível que alunos de qualquer classe social sejam analfabetos digitais, pois se o forem serão excluídos do mundo moderno.

 

 
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