22/5/2010
Secretário Regional aposta em ações políticas

Deyse Pessoa | Lages

Sem recursos no orçamento e com um prazo curto para realizar grandes ações, o secretário do Desenvolvimento Regional de Lages, João Cardoso, aposta em ações políticas para conseguir fazer obras na região. Ele pretende deixar para os próximos governantes a obrigatoriedade, por meio de protocolos de intenções, de realizar as seguintes obras: O acesso pavimentado da Coxilha Rica, a construção de um hospital regional, a finalização do presídio regional e a construção de uma nova delegacia regional. Mas, na prática, para o seu mandato estão previstas apenas a manutenção de convênios e a realização de obras corriqueiras.

Correio Lageano: O senhor entrou para a política na década de 80, exerceu várias funções públicas nas três esferas do poder. Por que ficou tanto tempo afastado e o que o motivou a aceitar o convite para comandar a SDR?

João Cardoso: Eu entrei para a vida pública em 1982, quando fui candidato a vice-prefeito na chapa do doutor Paulo Duarte. Ganhamos a eleição. Em 83 assumimos. No início, tivemos algumas divergências, até mesmo porque eu não tinha muita experiência política. Depois de alguns meses de administração eu assumi a secretaria de Obras do município. Trabalhei com o doutor Paulo até o final de 1984, quando então ele mudou de partido e passou para o PFL. Eu não o acompanhei, permaneci no meu partido. Por conta disto houve uma certa cisão política. Eu fiquei mais ao lado do Governo do Estado e ele do Governo Federal. Entreguei a secretaria de Obras e fui convidado pelo Governador Esperidião Amim a assumir a supervisão dos órgãos do Governo em Lages, que era quase uma secretaria regional, mas atuava mais na fiscalização. Depois de um pouco mais de um ano nesta função, fui convidado para ser secretário Estadual do Trabalho. Fui para Florianópolis onde fiquei até o fim do Governo. Voltando a Lages, trabalhei um período como diretor executivo da Uniplac. E depois, junto com outros companheiros, entre eles o deputado Francisco Kuster fundamos o PSDB. Eu sou um dos fundadores do PSDB nacional. Fundamos o PSDB, me candidatei a vereador, me elegi, depois tive uma segunda eleição para vereador. Em 1996 decidi abandonar a política. Renunciei um ano de mandato de vereador e fui conduzido pelo presidente da República como Juiz Classista junto ao Tribunal Regional do Trabalho, onde permaneci por dois mandatos, ficando lá por seis anos. Retornei a Lages, onde abri um escritório de advocacia e continuei trabalhando na área trabalhista que é onde me identifico mais. Mesmo sem estar envolvido na política a convite do doutor Renato, e do vereador Eloi Bassin, participei da campanha onde tive a felicidade de sairmos vitoriosos. Nesta ocasião o doutor Renato me convidou para assumir uma secretaria e trabalhar com ele, mas eu ainda preferi continuar advogando.

Quando surgiu esta chance de assumir a Secretaria do Desenvolvimento Regional em uma conversa com o PSDB, com o Monarim, com o vice-prefeito entre outros, chegamos à conclusão de que era uma boa oportunidade devido à experiência que eu havia adquirido trabalhando nos três poderes. Essa experiência seria importante para realizar um bom trabalho em benefício de Lages. Embora eu não tenha mais nenhuma pretensão política. Tenho 64 anos e todos os meus filhos criados.

CL: Quais suas prioridades enquanto secretário do Desenvolvimento Regional?

JC: O grande problema de Lages ainda é a definição econômica. Somos uma cidade sustentada pelo dinheiro público. Nós temos os aposentados e o batalhão e funcionários da Justiça Federal que trazem dinheiro da União. Temos os do Estado através do batalhão de Polícia Militar, os professores e as outras repartições e o município conta com cerca de quatro mil funcionários. E nós estamos no interior, se nós estivéssemos na capital estes salários seriam maiores e automaticamente nós teríamos maior circulação de dinheiro. E a iniciativa privada, as empresas que temos aqui, a maioria são de fora. Então o dinheiro nem pernoita aqui, quando chega à noite já é repassado para a empresa. E as empresas lageanas ainda são pequenas e precisam de mais incentivo, o que nos falta é o desenvolvimento sustentável. Enquanto isso não for realidade, Lages não irá crescer.

CL: Que ações precisam ser feitas para que a cidade tenha um desenvolvimento sustentável?

JC: Nós temos a maior região de terra do Estado, é a região da Coxilha da Rica. Esta região não produz o que é capaz de produzir. Por que ela não produz? Não tem estrada. Para você chegar lá, já é um trabalho. Existem fazendeiros que para vender os seus bois têm que transportar os animais a pé, perdendo peso para poder chegar ao seu destino. Minha defesa é construir uma estrada de alto nível naquela estrada que entra na região de Morrinhos, no Guará e que vai sair lá na Vigia. Nós estamos com intenção de estadualizar esta rodovia.

Em Lages nós temos mão de obra desde a mais simples, que é a do homem rural, como as mais técnicas e mais qualificada, devido às faculdades de agronomia e veterinária. Então se nós juntarmos as forças, tivermos estrada, soubermos usarmos a mão de obra e fazer o homem do campo retornar, o que acontecerá automaticamente para a área de produção, há uma probabilidade muito grande de atrair a indústria de transformação dos produtos feitos naquela região. A indústria não se instala em uma cidade se ela não tiver um benefício, uma vantagem. E esta vantagem até agora era um terreno, a terraplenagem e uma isenção de imposto. Isto não é mais suficiente. Nós temos que ter a matéria-prima aqui. Exemplo prático disto é o Oeste Catarinense. Estamos trabalhando em cima disso. Já conversei com o prefeito, ele está disposto a ceder a estrada para o Governo do Estado. O Estado também interessa. Estamos agora trabalhando para que este governo, embora sem dinheiro, possa receber a estrada e orçar para o ano que vem.

CL: O senhor tem um período curto para administrar a SDR com um orçamento já comprometido. Como pretende administrar este período e como fará tantas ações, sem grandes investimentos?

JC: Temos os trabalhos corriqueiros que são os convênios que estão em andamento, as reformas de escola, a reforma do Hospital Geral e Maternidade Tereza Ramos. Estas coisas são importantes, mas não mudam nada no contexto da região. E nós estamos com dificuldades porque estamos iniciando uma administração em fim de mandato de governo, ou seja, o Leonel Pavan assumiu o governo que foi deixado pelo Luiz Henrique, mas no momento em que o LHS saiu, ele deixou o orçamento comprometido, porque ele já foi aprovado pela Assembleia desde o início do ano. Se fosse o Pavan que tivesse feito este orçamento provavelmente teríamos outras prioridades, mas agora não nos cabe discutir isso, temos que cumprir e não ficar devendo nada. Mas, temos ações políticas que podem ser tomadas para que os nossos objetivos se tornem irreversíveis. Por exemplo, nós deveremos assinar nos próximos dias, um protocolo de intenções entre o governo do Estado e o município para a construção de um grande hospital que está sendo projetado com a participação da secretaria e da prefeitura. Ele será construído na antiga sede do Vermelhão. O prefeito vai doar a área e o Estado vai custear o projeto. Vamos assinar o protocolo de intenções para que esta obra se torne irreversível, ou seja, o futuro governante terá que construir ali um hospital. Já teremos a terra, o projeto e o recurso em orçamento.

CL: Para quais outras obras o senhor pretende fazer o protocolo de intenções?

JC: Estamos trabalhando em cima do hospital, da estrada da Coxilha Rica, da vinda da ZF, ao andamento das obras do presídio. Também está previsto um protocolo para uma nova delegacia regional, porque a nossa é antiquíssima e nós necessitamos de maior segurança na cidade. Já recebemos o terreno que fica na junção da Avenida Belizário Ramos com a Dom Pedro II, próximo ao Senai. Há uma série de ações que podemos e devemos desenvolver, mas que dependem de atitudes políticas, já que não dispomos de dinheiro.

CL: Para fazer os protocolos de intenções, o senhor precisa dos projetos aprovados, tanto pela câmara quanto pela assembleia. O senhor acredita que até dezembro consegue fazer tudo isso?

JC: Estamos muito bem integrados com a prefeitura, não temos nenhuma divergência e estamos empenhados em defender o interesse de Lages, eu creio que seja possível. Ressalto a importância da união da sociedade como um todo, para fazermos uma Lages cada vez melhor e com um desenvolvimento sustentável.

 

 
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